| Ah indiferença... Como eu invejo isso! |
|
Olhar para algo, sem se sentir por ele submisso |
|
Olhar apaixonadamente para alguém... |
|
Sem pensar no risco que daí advém. |
|
|
|
Mas com indiferença, não existiria essa paixão... |
|
Como invejo agora os momentos de incompreensão! |
|
Ao menos sentiria-me feliz |
|
Com uma simples explicação, |
|
E não dissecaria o sentido do que fiz, |
|
Nem do que disse do coração. |
|
|
|
Invejo o que não existe |
|
E o que não tenciona existir |
|
Invejo quem não insiste |
|
Em precisar dum motivo para sorrir |
|
|
|
Invejo a fraqueza daqueles |
|
Que se deixam comover |
|
Por coisas tão simples |
|
Como um deixar de viver |
|
|
|
Invejo os paradoxos criados por mim... |
|
O querer ser o contrario, |
|
De outra coisa que antes quis. |
|
|
|
Sou invejoso e continuarei assim |
|
Pois invejar ainda me faz feliz: |
|
|
|
Ajuda-me a criar |
|
As minhas próprias expectativas |
|
Ajuda-me a pensar |
|
Nas mais diferentes perspectivas |
|
Ajuda-me a desejar |
|
Coisas mais positivas |
|
Ou talvez se quiser |
|
Em situações mais negativas. |
|
|
|
Acho que invejo tudo |
|
E esse tudo não existe para mim |
|
Pois tudo o que eu não sou, considero inexistente |
|
E tudo o que não tenho, foge de mim velozmente. |
|
|